sábado, 6 de setembro de 2008
ALFABETIZAR LETRANDO...

O professor deve fornecer ferramentas para o aluno construir o seu processo de aprendizagem da leitura e escrita.Na etapa inicial, isto é, na Educação Infantil, a escola tem obrigação de ajudar o aluno a ser apropriar da escrita alfabética e informatizar o seu uso. Para realizar essa tarefa, o professor não deve deixar o aluno se esforçar sozinho para entender “por que coisas que se fala parecido tendem a ser escritas de modo parecido “O professor deve ajudar o aluno a refletir sobre palavras retiradas de textos lidos ( além de outras que são significativas para o aluno). É essencial praticar a leitura e a escrita no cotidiano escolar “trabalhar com palavras”, propiciar aos alunos refletir sobre elas, montá-las e desmontá-las. Nessas ocasiões, mesmo ainda sem saber ler convencionalmente, os alunos poderão se apoderar de algumas estratégias de leitura: estratégias de antecipação, de checagem de hipóteses, de comparação, entre outras ( utilizadas por um cidadão letrado. Explorando e também produzindo textos observados pelo professor ou por outro aluno já “alfabetizado”), os alunos estarão desenvolvendo conhecimentos sobre a linguagem que se utiliza nos textos que percorrem a sociedade letrada. Com base nos estudos e pesquisas de hoje em dia, “Alfabetizar letrando” requer: Democratizar a vivência de práticas de uso da leitura e da escrita e ajudar o aluno a, ativamente, reconstruir essa invenção social que é a escrita alfabética. Se a escrita alfabética é uma invenção cultural, seguindo as idéias de Vygotsky, os professores, como membros mais experientes da cultura devem auxiliar os alunos a prestar atenção/analisar/refletir sobre os pedaços sonoros e escritos das palavras. Isso, é claro, não seria, de forma alguma, usar métodos fônicos ou treinar a “produção de fonemas” num mundo sem textos e sem práticas de leitura. A partir de 1983, através de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, o professor começou a repensar a sua prática cotidiana em sala de aula. Nos dias de hoje, sabemos que um indivíduo plenamente alfabetizado é “aquele capaz de atuar com êxito nas mais diversas situações de uso da língua escrita. Dessa forma, não basta apenas ter o domínio do código alfabético, isto é, saber codificar e decodificar um texto: é necessário conhecer a diversidade de textos que percorrem a sociedade, suas funções e as ações necessárias para interpretá-los e produzi-los.” O processo de alfabetização ocorre durante toda a escolaridade e tem início antes mesmo da criança ingressar na escola. Implica em tomar como ponto de partida, o texto, pois este é revestido de função social e não mais as palavras ou sílabas sem sentido. O professor deve buscar um vocabulário que tenha realmente significado para a classe, isto é, que seja retirado das suas experiências. Atualmente, a cartilha não é o recurso mais favorável a aprendizagem da leitura e da escrita, principalmente, porque não tem qualquer significado para o aluno e apresenta textos desconexos, apenas garantindo a “memorização das famílias silábicas.” Para Teberosky, deve ser considerada no processo de alfabetização, a diferenciação entre a escrita e a linguagem. Segundo a referida autora, a escrita deve ser entendida como um sistema de notação, que no caso da língua portuguesa é alfabetização(conhecer as letras, sua organização, sinais de pontuação, letra maiúscula ,ortografia , etc ). A linguagem escrita é definida como as formas de discurso, as condições e situações de uso nas quais a escrita possa ser utilizada(cartas, bilhetes, notícias, relatos científicos, etc.) Inicialmente, o professor precisa tomar por base o texto e não mais as palavras-chaves. O texto deve ser o elemento fundamental para inserir a criança no universo letrado’. Além da escrita espontânea, pode ser considerado também o trabalho com modelos, que possibilitam ‘as crianças comparem suas hipóteses com o convencional. Através de listas de palavras de um mesmo campo da semântica.(brinquedos, jogos prediletos, comidas preferidas, personagens de livros e gibis, nomes dos alunos da classe, frutas, etc) das parlendas e de outros textos, as crianças, hoje, podem ampliar suas concepções e progredir na aquisição da base alfabética, como na compreensão de outros aspectos (a grafia correta das palavras, o uso de sinais gráficos, etc). Simultaneamente, os diversos tipos de texto necessitam aparecer como objeto de análise, propiciando aos alunos diferenciá-los, conhecer melhor suas funções e características particulares. Para que isso ocorra, é essencial que saibam interpretá-los e escrevê-los. A expressão pessoal (bilhetes, cartas, diários, receitas culinárias, etc) deve fazer parte do trabalho do professor, no entanto, esta deve vir acompanhada pela escrita de outros textos, inclusive com o apoio de modelos. Cabe à escola, desde a Educação Infantil, alimentar a reflexão sobre as palavras, observando, por exemplo, que há palavras maiores que outras, que algumas palavras rimam, que determinadas palavras tem “pedaços” iniciais semelhantes, que aqueles “pedaços” semelhantes se escrevem muitas vezes com as mesmas letras, etc. Não se trata de apresentar fonemas para que os alunos memorizem isoladamente os grafemas que correspondem a eles na nossa língua. Como o aprendizado do sistema de escrita alfabética é, acima de tudo, conceitual, o que é preciso é que os alunos possam manipular/montar/desmontar palavras: observando suas propriedades; quantidade e ordem de letras, letras que se repetem, pedaços de palavras que se repetem, e que tem som idêntico. O professor deve estimular o desenvolvimento das habilidades dos alunos de reflexão sobre as relações entre partes faladas e partes escritas, no interior das palavras. O uso das palavras estáveis como os nomes próprios e de certos tipos de letra, como a letra de imprensa ou letra script, tem uma explicação. Quanto às palavras que se tornam “estáveis”, o fato de o aluno ter memorizado sua configuração, possibilita-lhe refletir sobre as relações parte-todo tentando devendar o mistério daquelas relações; por que a palavra inicia com determinada letra e continua com aquelas outras naquela ordem? Por que falamos tantos (pedaços) sílabas e tem mais letras quando escrevemos? Quanto ao uso das letras de imprensa ou script, o fato de terem um traçado mais simplificado, e de cada letra aparecer mais separada das demais, possibilitando ao aluno saber onde começa e termina cada letra, permite ao aluno investir no trabalho cognitivo, fazer uma reflexãonecessária à reconstrução do objeto de conhecimento, isto é, o sistema alfabético. O professor deve garantir que as práticas escolares ajudem o aluno a refletir enquanto aprende e a descobrir os prazeres e ganhos que se pode experimentar quando a aprendizagem do sistema de escrita é vivenciado como um meio para, independentemente, exercer a leitura e a escrita dos cidadãos letrados.
Cássia R. M. de Assis Medel
domingo, 31 de agosto de 2008
domingo, 24 de agosto de 2008
sábado, 23 de agosto de 2008
sábado, 16 de agosto de 2008
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Problemas de Comportamento
Falta de apetite, manha para dormir, birra, contar mentiras e agressividade são comportamentos que, apesar de comuns em crianças pequenas, deixam os pais atordoados, envergonhados, irritados e sem saber como agir. Muitos valem-se de castigos; outros, de agressividade; outros, ainda, tentam a chantagem emocional ou cedem aos caprichos da criança; mas, nem sempre tais atitudes conseguem impedir a falta de controle dos adultos e o olhar recriminatório das pessoas que observam a cena. A pergunta, então, é inevitável: Como agir? Como lidar com tais problemas sem sentir-se culpado? Não há uma fórmula única, porque cada criança e cada família são diferentes, e todos os recursos adaptados a circunstâncias e necessidades específicas; porém, você deve ser firme em suas atitudes e decisões.
Veja algumas sugestões que, talvez, possam ajudá-lo na resolução de alguns problemas:
FALTA DE APETITE
Normalmente, esta é a queixa mais comum que se ouve em relação a crianças de 1 a 3 anos de idade. Os pais geralmente se preocupam com a quantidade de alimento ingerida pela criança com receio de que a não alimentação comprometa o crescimento dela; no entanto, se a criança é ativa e cresce a um ritmo normal, as preocupações nesse sentido devem ser deixadas de lado. Via de regra, é muito comum que a criança tenha pouco apetite por ser pequena demais ou, ainda, por ter o hábito de beber muito leite. Em média, um menino de 1 ano, de aproximadamente 9 quilos, precisa de 1.000 a 2.000 calorias diárias. Portanto, se ele beber um litro de leite inteiro, isso já suprirá cerca de 60% de suas necessidades calóricas e, conseqüentemente, ele não terá vontade de comer. Para fazê-lo comer mais alimentos sólidos, basta reduzir a quantidade de leite por ele consumida. Além disso, a hora de refeição não deve se tornar um momento de tormenta, repleto de rogos, ameaças e subornos. A recusa da criança em comer nunca deve ser objeto de desaprovação ou castigo. Se houver resistência durante as refeições, tente descobrir o que pode estar causando a falta de apetite e procure remediar a questão sem comentários (tente, por exemplo, diminuir a quantidade de alimentos colocados no prato e dê à criança um prazo para comer (20/30 minutos). Ao término desse tempo, retire o prato sem qualquer manifestação de aprovação ou reprovação e... observe os resultados).
PROBLEMAS NA HORA DE DORMIR
Normalmente, as crianças pequenas têm problemas relacionados com o sono: resistem em ir para a cama, acordam no meio da noite ou saem da cama com desculpas de terem sede, de quererem ficar mais um pouquinho acordadas ou de irem para outra cama. Nesses casos, a coerência é a melhor saída na resolução do problema: as crianças se desenvolvem melhor se houver uma rotina diária. Portanto, é muito importante que tenham uma hora certa de ir para a cama. Se tais situações forem tratadas com firmeza, aliadas à calma, obrigando o pequeno a voltar para a cama sem maiores comentários, ao fim de uma ou duas semanas o problema estará resolvido. A criança pode até fazer a maior choradeira a princípio (é um tipo de teste, chantagem emocional), mas não tardará a se acalmar.
ATAQUES DE BIRRA
Situações embaraçosas do tipo ter seu filho prostado no chão do supermercado aos gritos, esperneando e esbracejando, fazem qualquer ser-humano normal perder o controle. Os olhares críticos e insinuações alheias são perturbadores e, não raras vezes, gritos e tapas fazem parte do repertório educacional dos pais. No entanto, tudo isso poderia ser evitado, pois tal comportamento infantil não raro acontece por motivos absolutamente triviais: a criança pode estar se sentindo frustrada por qualquer coisa insignificante ou por lhe ter sido negado algum pequeno desejo. Manha, é verdade; no entanto, todas as crianças normais têm acessos de ira ocasionais, que começam por volta dos 18 meses, atingem o auge perto dos 2 anos e desaparecem aos 3. Por não saberem ainda lidar com as decepções, com os fracassos do dia-a-dia, as crianças sentem-se frustradas, e a fúria e a irritação são uma forma que demonstrarem seus sentimentos. Muitas vezes, as emoções das crianças são a resposta aos limites impostos pelos pais, por mais justificados que sejam. O que distingüe os ataques normais dos anormais é sua freqüência e intensidade: uma criança que se entrega a acessos de fúrias diárias durante um longo período pode estar reagindo a tensões familiares (morte, divórcio, mudança de casa, mudança de escola, etc.). Em relação às fúrias normais, não as encare como algo pessoal nem tente contrapor suas razões. Assim que começarem os pontapés e as gritarias, tente resolver rapidamente o problema, com calma e sem palavras, antes de se aborrecer e se descontrolar. Se estiver em público, leve a criança para um lugar mais retirado até a crise passar. Ao chegar a casa, leve-o para o quarto, feche a porta, deixe-o chorar e em pouco tempo ele se acalmará.
CONTAR MENTIRAS
Os pais costumam ficar muito preocupados a primeira vez que descobrem que o filho mentiu. Mas, o problema não é tão grave assim, desde que os pais dêem o exemplo correto. Nas crianças pequenas, realidade e fantasia se misturam. Algumas arranjam amigos imaginários e lhes atribuem ações e culpas, pois ainda não aprenderam a dar um significado moral às mentiras. Um diálogo aberto, franco e afetuoso entre pais e filhos e a educação pelo exemplo são o melhor remédio contra a transformação da mentira num hábito. No entanto, se a criança mentir, não a sente em uma cadeira até ela confessar o deslize. Essa atitude provavelmente não irá melhorar o comportamento dela. O caminho é a confiança e a valorização: quanto mais a criança perceber o grande valor que o pai ou a mãe dão à verdade e à confiança mútua, menos provável será que a mentira se torne um problema grave quando ela crescer.
COMPORTAMENTO AGRESSIVO
Lidar com outras pessoas não é uma tarefa fácil. Imagine, então, o que é para uma criança, até então centrada em seu próprio mundo, ter de lidar com outras crianças e, geralmente através das brincadeiras, participar das inevitáveis disputas por um brinquedo, por vezes acompanhadas de socos, mordidas e gritos. Uma das lições mais importantes a aprender nos primeiros três anos de vida é a partilha com os outros, e nem todas as crianças aprendem esta lição tão depressa e tão bem. Aquilo que pode parecer engraçadinho num bebê de 1 ano, poderá tornar-se um sério problema na época de ele entrar para a escola e, então, o egoísmo, o egocentrismo e a intolerância poderão manifestar-se. A criança é um ser imitador por natureza; portanto, a agressão infantil é, geralmente, decorrente da imitação dos pais, de outras crianças e de personagens da televisão. As crianças mais agressivas brincam melhor em ambientes espaçosos, com liberdade que num espaço restrito, e devem ser vigiadas até melhorarem sua sociabilidade. Por vezes o castigo pode ser uma atitude aceitável. Mas não o castigo físico. Melhor é escolher um local bem aborrecido da casa (por exemplo, uma cadeira virada para a parede), e deixá-la ali, pensando no que fez, por alguns minutos (o tempo médio de castigo é de 1 minuto por ano de idade). Ao final do tempo, o castigo cessa e os pais não devem voltar a enfatizar o motivo que levou à punição.
De uma forma geral, as crianças sentem-se mais seguras quando conhecem os limites impostos pelos pais: tornam-se mais confiantes e descontraídas se percebem que um determinado comportamento de sua parte provoca sempre a mesma reação (positiva ou negativa).
Os pais, por sua vez, devem fixar as regras juntos. De nada adianta ter opiniões diferentes em relação à educação do filho. Isso só fará com que ele se porte como um anjo com um dos pais e como um diabinho com o outro. As crianças precisam de doses regulares de aprovação de ambos os pais para poderem discernir entre o certo e o errado.
Todas as crianças precisam aprender a desenvolver e a ter sua identidade como indivíduos. Para que isso aconteça, reservar alguns minutos por dia para conversar com os filhos é fundamental (conte-lhe uma história, fale do que fez durante o dia, os planos para o dia seguinte, etc.).
Aproximar-se do mundo que as crianças conhecem é trazê-las para perto de você. É, desde tenra idade, estabelecer um vínculo de confiança mútua que criará caminhos, abrirá as portas para um diálogo mais franco e sincero no decorrer da juventude e, principalmente, da adolescência.









































